nublado, me levanto
meus pensamentos precipitam
como uma leve chuva
anunciando pesadas nuvens
caneta em mãos
uma folha em branco
os primeiros traços
os primeiros pingos
letras e palavras fluem
me inundam
escorrem por minhas mãos
molham o papel
meu olhar, agora atento,
me faz perceber
tudo aquilo que eu
tinha a esconder
domingo, 21 de abril de 2019
tempestade
terça-feira, 5 de fevereiro de 2019
sentido

o medo da tua mão
me aperta o peito
são tantas palavras congestionadas
que a mente, em jorro
emudece a boca
na rua, jorra-se ódio
como quem reza um cântico
o pensamento de futuro
parece perder o sentido
sentido sentindo sentimento
ressentido sentido
sentido!
bate-se continência à valores
que serão empurrados
goela abaixo
os poucos, contrários
que se sufoquem
mas, em seus mínimos respiros
mesmo sob a mira de mãos em riste
há necessidade de sobrevivência
são sementes que crescem
em asfalto rachado
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019
um de um ou um de outros
quantas vezes tento
me reinventar?
ser algo que acho
que esperam de mim
aceitando e tentando
tornar-me real
até que, lentamente
sorrateiramente
vem à mente
o incômodo
o desgaste
o peso de ser
de se ser
sou quem eu quero ser
ou sou um eu
de outros alguéns?
no fim, o que me resta
depois de tanto tentar
se adaptar
se encaixar
é ser
sendo
me modifico
me adapto
me encaixo
deixando partes de mim
em mim
mudo e permaneço
— diferente?
me reconheço
me reinventar?
ser algo que acho
que esperam de mim
aceitando e tentando
tornar-me real
até que, lentamente
sorrateiramente
vem à mente
o incômodo
o desgaste
o peso de ser
de se ser
sou quem eu quero ser
ou sou um eu
de outros alguéns?
no fim, o que me resta
depois de tanto tentar
se adaptar
se encaixar
é ser
sendo
me modifico
me adapto
me encaixo
deixando partes de mim
em mim
mudo e permaneço
— diferente?
me reconheço
segunda-feira, 17 de setembro de 2018
o que ressoa em um abraço de despedida
um último dedilhar
numa última canção
olhos fechados
e a voz,
a voz
um grito de despedida
uma página se virando
o além-mar esperando
do palco vazio
lágrimas de carinho
sorrisos que carregam
a ambiguidade das mudanças
então, os abraços
abraço-vivência
abraço-te amo
abraço-vai, faz tua história
abraço-volta
abraços
abraços apertados
do palco vazio
o desejo de histórias que virão
de vidas a serem compostas
dedilhadas e cantadas
a época dos marshmallows
não tardará a florescer novamente
numa última canção
olhos fechados
e a voz,
a voz
um grito de despedida
uma página se virando
o além-mar esperando
do palco vazio
lágrimas de carinho
sorrisos que carregam
a ambiguidade das mudanças
então, os abraços
abraço-vivência
abraço-te amo
abraço-vai, faz tua história
abraço-volta
abraços
abraços apertados
do palco vazio
o desejo de histórias que virão
de vidas a serem compostas
dedilhadas e cantadas
a época dos marshmallows
não tardará a florescer novamente
domingo, 16 de setembro de 2018
6:28

havia um pássaro que
todos os dias
com seu bater
me acordava
não lembro em que ano foi
nem por quanto tempo durou
havia um pássaro que
todos os dias
bicava minha janela
me trazia à realidade
fazia o mundo girar
precisamente às 6:28
seguíamos um ritmo
um toc-toc na janela
o onírico se esvaindo
meus olhos se abrindo
o virar de cabeça
a visão do pássaro a bicar
no relógio
invariavelmente
6:28
o tempo é colocado em seu eixo
e começa a girar
são oito horas
chove lá fora
o silêncio do bicar do pássaro
me faz lembrar daquele tempo
quantas 6:28 já se passaram?
continuo acordando
em horários não tão precisos
noites ainda amanhecem
o tempo, continua girando
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