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numa noite iluminada
à brisa fria do mar
sussurramos nossas vidas
fomos poesia
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numa noite iluminada
à brisa fria do mar
sussurramos nossas vidas
fomos poesia
num quarto mal iluminado,
nos deitamos confortavelmente
sem intuito
deixamos a conversa fluir
sem nos importar
apenas ir
somos amigos
então, pra onde ir?
— mais à fundo
o receio da exposição
era acolhido pela pouca iluminação
pelo mostrar-se do outro íamos sendo
dizendo
parecíamos jogar
conversa fora
brincar com a luz e a escuridão
profanos
um ver-se e negar-se no falar
— de todos
e nessa miscelânea de dizeres
de conceitos, angústias e prazeres
onde cada um é si mesmo
e todos,
sou eu
lembro do primeiro dia que chegastes lá em casa, só ouvi o grito:
— a visita chegou!
na hora não me dei conta que este era o horário que tínhamos combinado
“a visita”
é estranho pensar em você assim
como mais um que aparece durante o dia,
conversa um pouco, e vai embora
desde o começo,
nossa primeira troca de palavras,
elas nunca foram embora
eu estava lendo,
completamente imerso no livro,
quando você me assustou dizendo como tinha gostado dessa leitura.
conversamos por horas nesse dia
e nos seguintes
“a visita” virou rotina
ganhou nome,
sobrenome
até apelido