terça-feira, 20 de junho de 2017

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numa noite iluminada
à brisa fria do mar
sussurramos nossas vidas
fomos poesia

segunda-feira, 19 de junho de 2017

para onde ir, senão à fundo?

num quarto mal iluminado,
nos deitamos confortavelmente
sem intuito
deixamos a conversa fluir
sem nos importar
apenas ir


somos amigos
então, pra onde ir?
— mais à fundo


o receio da exposição
era acolhido pela pouca iluminação
pelo mostrar-se do outro íamos sendo
dizendo


parecíamos jogar
conversa fora
brincar com a luz e a escuridão
profanos

um ver-se e negar-se no falar
— de todos


e nessa miscelânea de dizeres
de conceitos, angústias e prazeres
onde cada um é si mesmo
e todos,
sou eu

domingo, 18 de junho de 2017

a visita

lembro do primeiro dia que chegastes lá em casa, só ouvi o grito:
— a visita chegou!
na hora não me dei conta que este era o horário que tínhamos combinado
“a visita”
é estranho pensar em você assim
como mais um que aparece durante o dia,
conversa um pouco, e vai embora


desde o começo,
nossa primeira troca de palavras,
elas nunca foram embora
eu estava lendo,

completamente imerso no livro,
quando você me assustou dizendo como tinha gostado dessa leitura.
conversamos por horas nesse dia
e nos seguintes


“a visita” virou rotina
ganhou nome,
sobrenome
até apelido

sexta-feira, 16 de junho de 2017

nosso muito pouco

parece certo quando penso
parece bobo quando falo
mas é isso que sinto:
— és muito pro meu muito
o engraçado é
numa igual medida
nos achamos pouco para o outro
e com muito pouco
nos tornamos muito
somos muito
nos bastamos por inteiro
somos inteiros
somos

quinta-feira, 15 de junho de 2017

achados e perdidos

em um mundo de rápidas conexões
de desencontros fugazes
e encontros desapercebidos
uma amizade,
quando achada,
não é roubada,
é cuidada