domingo, 9 de agosto de 2015

corpor condenado

 Ao acordar lembro da noite passada

Como sempre, conversamos até cair no sono
mas diferente de outras noites, estávamos juntos
na mesma cama

Gosto de sentir o peso da sua cabeça no meu peito
o jeito que você se inclina para me olhar no olhos
Nessa mesma posição, dormimos

Assim que esses pensamentos se afastam
sinto que não foram só eles
Não sinto seu peso
seu calor
seu cheiro

Olho para o lado e você está lá
sem roupa
mas todo encolhido
quase como o feto

A sensação que tenho é que você se fechou para o mundo
um corpo fechado
imerso em seus próprios sonhos

Penso, novamente na noite passada
será que, no entorpecer do quase sono
falei algo que não devia?
Algo que fez você se fechar assim
pra mim, pro mundo

Sou tomado pela angústia
você, corpo fechado
eu, corpo condenado
jogado no meu lado da cama

Sinto um movimento
e todos os meus pensamentos ruins começam a se fragmentas
Ao ver seus olhos se abrindo
seu sorriso se abrindo
lembro de sua voz, e da sua fala recorrente:
você pensa demais…
E os fragmentos desaparecem

Do sorriso, vem a aproximação
você me abraça
me beija
e, de novo
a confusão dos corpos.

sábado, 8 de agosto de 2015

d i s t â n c i a

 me sinto a vontade
tão a vontade que estou aí ao lado
tão junto que posso te tocar
apesar de estar longe

a vontade não conhece distância

me sinto tão a vontade
que a vontade só aumenta
encurtando a distância
que quase posso te tocar

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

despertar

acordo e já não estou aqui
o lençol em meus pés são pedais
meu corpo, já se vê sentado
minhas mãos
aconchegadas, puxando o lençol contra meu rosto
estão segurando firme o volante
o som constante do ventilador
dá lugar às buzinas
acordo e já estou indo
mal despertei e já sou rotina

sexta-feira, 3 de julho de 2015

nuances

de longe nada entendo
tudo parece insignificante
de perto, tudo é grande demais
desproporcional
sei que não é na rotina
aí, tenho a proporção
mas não as nuances
o novo
o inusitado
a surpresa
qual a distância exata?
como te conheço?

sábado, 7 de março de 2015

o que não é



Uma coisa nunca é apenas uma coisa
O colorido pode ser perigoso
“aff, isso é anilina pura!”
Pode ser bom
“huuuum, nada melhor pra adoçar o dia!”
Vemos a vida de diferentes maneiras
“só não posso olhar a balança…”